

Francis Bacon,
Estudo para uma crucificação, 1962
ARTE
Intersecções do Teatro na obra de Francis Bacon
Como podemos traçar uma relação entre o teatro afro-brasileiro, a pintura de Francis Bacon e o conceito de corpo sem órgãos proposto por Gilles Deleuze e Félix Guattari? Esse desafio conceitual nos leva a explorar as intersecções e tensões que emergem dessas diversas expressões artísticas e perguntar: qual a contribuição do pintor e dos filósofos para pensar o corpo no teatro afro-brasileiro?
Corpo Sem Órgãos e expressão teatral afro-brasileira
No contexto do teatro afro-brasileiro, exemplificado por obras como "Orixás" (1992) de Abdias do Nascimento e "Besouro Cordão de Ouro" (2005) dirigida por João das Neves, o corpo do performer é transformado em um campo de intensidades e potencialidades, refletindo a concepção deleuziana de um corpo sem órgãos estratificado e limitado por convenções.
Essas produções teatrais não buscam apenas representar o corpo, mas sim criar experiências sensoriais e emocionais que transcendem a mera representação. O corpo se torna entidade de expressão direta, desafiando as normas e estruturas que aprisionam a corporeidade em categorias fixas e predefinidas.
(Des)organização do corpo
As pinturas de Francis Bacon, com suas figuras distorcidas e fundos abstratos, destacam uma desconstrução do corpo humano convencional, alinhando-se à ideia de Deleuze de um corpo sem órgãos que desafia as estruturas e hierarquias estabelecidas.
Bacon não retrata o corpo como uma entidade estática e definida, mas sim como uma presença fluida e mutável, capturando a essência do corpo vivo em constante movimento e transformação. Suas obras questionam a própria noção de representação do corpo, desafiando os limites da forma e da identidade.
Diálogos Artísticos e Novas Formas de Expressão
A diversidade do teatro afro-brasileiro contemporâneo, como evidenciado por festivais como o Festival de Teatro Negro de Curitiba e a Mostra de Teatro Negro de Belo Horizonte, proporciona um terreno fértil para a exploração de novas formas de expressão que ressoam com o conceito de corpo sem órgãos de Deleuze.
Nesse contexto, o corpo deixa de ser um objeto passivo de representação para se tornar um campo de experimentação e reinvenção. A corporeidade torna-se experiência, apartada de suas amarras representacionais, abrindo caminho para uma vivência dinâmica da experiência.
Desafios e possibilidades do corpo na arte
Ao tensionar as expressões do teatro afro-brasileiro, a pintura de Francis Bacon e o conceito de corpo sem órgãos de Deleuze, somos confrontados com desafios e possibilidades na compreensão da arte do corpo e suas potencialidades expressivas e políticas.
Essa abordagem filosófica nos convida a repensar não apenas a representação do corpo, mas também as estruturas que limitam sua expressão plena. O corpo sem órgãos não é apenas uma ideia abstrata, mas sim um convite para liberar a corporeidade das amarras da representação e permitir sua manifestação em toda a sua complexidade e vitalidade.
Artigos recentes

02/05/2024
Quer ler este artigo?
Apenas R$ 10,00 por mês.
Assine agora e seja membro!
21/01/2024
